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Cecê, chulé e bafo

Postado por -A às 14:49
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Quem nunca sofreu um dia com um mau cheiro

no pé, nas axilas ou na boca? Os famigerados
“chulé”, “cecê” e “bafo” atormentam a vida
em sociedade há séculos, sempre causando
constrangimento e desconforto.
A história conta que quando Vasco da Gama desembarcou em Calicute, ainda em 1498, a impressão dos europeus não foi boa. Em meio à obsessão
européia por temperos e ervas ressaltam-se questões
de higiene (tanto pública quanto privada). O mesmo navegador português viveu experiência ainda
mais constrangedora ao encontrar-se com o samorim indiano, quando seus secretários determinaram
que, ao dirigirem a palavra ao samorim, tapassema boca com a mão esquerda, “para não o macular
com seu bafo”. Coincidentemente, a escova dental
foi inventada no mesmo ano, pelos chineses.
Mas não eram os desbravadores portugueses as
únicas vítimas históricas dos vilões do mau cheiro, reza a lenda que o hábito de usar abanadores
e leques, era na verdade uma forma de dispersar o
desagradável cheiro que emanava dos corpos após
longos meses sem banho, comportamento comum
dos europeus antigos. Além disso, um dos símbolos
mais significativos do casamento, o buquê, foi uma
artimanha das donzelas da Idade Média para disfarçar o cheiro ruim das axilas.
Situações constrangedoras
Victória Castro, 24 anos, conta que a situação
mais constrangedora que viveu foi após um dia de
trabalho, em um jantar na casa da família do namorado. Ela explica que o jantar foi planejado às
pressas para recepcionar os avôs do rapaz, que são
japoneses e chegavam em visita ao Brasil. A famí-
lia resolveu fazer um jantar tradicional japonês e
só quando chegou lá Victória soube que teria que
tirar os sapatos. “Eles tiram os sapatos e sentam-se
no chão para comer. É um sinal de respeito. Depois
de um dia inteiro de trabalho e faculdade, imagina
como estava o meu chulé!”, conta com bom humor.
A jovem diz que só se deu conta do problema quando todos começaram a coçar o nariz e o namorado
sinalizou discretamente: “Morri de vergonha, mas
naquele momento não havia o que pudesse fazer”,
afirma. E conclui, levemente sem graça, mas ainda
com bom humor: “Até hoje meu namorado canta a
música do sapo que não lava o pé!”
Nem todos conseguem lidar com o mesmo bom
humor em relação ao problema. O adolescente A.
P., de 17 anos, sofre com os problemas da bromidrose nas axilas, o famoso “cecê”. Segundo ele, desde o
início da puberdade, quando surgiu o problema, os
colegas de escola fazem brincadeiras de mau gosto:
“A turma inteira tampava o nariz quando eu entrava na sala, era horrível”, conta. A. P. faz tratamento
com pomadas específicas, fórmulas desenvolvidas
especialmente para ele, mas explica que o problema não termina tão simplesmente, pois “o efeito
dura enquanto o produto estiver no corpo, depois de
um tempo volta tudo de novo, parei de jogar futebol, ninguém queria fazer a minha marcação”.
Tanto Victória como o jovem A. P. são vítimas do
mesmo vilão: a bromidrose. Esse é o nome dado ao mau cheiro que é ocasionado pela decomposi-
ção do suor liberado pelas glândulas sudoríparas
dos pés (bromidrose plantar) e axilas (bromidrose axilar) e pode estar relacionado a quadros de
transpiração excessiva. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o chulé e o cecê surgem
também por outros motivos, além do suor excessivo, como o abafamento freqüente dos pés devido ao uso de sapatos fechados. Os calçados sinté-
ticos impedem a respiração da área. Da mesma
forma atuam os tecidos sintéticos nas axilas favorecendo a proliferação de fungos e bactérias.
Há ainda o famoso e não menos odiado “bafo”.
Que ao contrário do que se pensa não é conseqüência de problemas do estômago. Segundo o
gastroenterologista Sergio Costa, 90% dos casos
de halitose – nome científico da disfunção de
odor bucal – surgem na boca. Segundo ele há
os casos de insuficiência renal, que dão o chamado hálito urêmico, diabetes descompensada,
insuficiência hepática, que é  chamado de hálito
de maçã, além da halitose por jejum. Esposa de
Sérgio, a dentista Vera Curi concorda e acrescenta: “Hoje em dia tem muita halitose porque todo
mundo faz dieta para emagrecer. Tem que beber
mais água pra compensar, fica-se mais tempo
sem comer.”
 Em todos os casos, os especialistas afirmam que
é na puberdade que surgem os primeiros sinais.
E todo o cuidado é pouco. Segundo Vera, menos
de 10% da população brasileira usa fio dental.
Ela usa exemplos factuais para educar os jovens e propõe uma experiência simples: “Pega um presunto e deixa na pia. Cheira esse presunto seis
horas depois, que é o tempo médio que a gente
fica sem comer. Ele apodrece na boca tal como na
pia, só que na boca há muito mais bactérias.”
Sérgio explica que a halitose pode ser causada também pelo fator psicológico, e diz tratar-se
de uma situação bem comum. “O paciente fica
tão preocupado em ter mau hálito que cisma que
tem, às vezes tenho de encaminhar para um psiquiatra”, conta o gastro. E Vera completa: “O pa-
- “O hálito de minha esposa tem cheiro horrível, seria melhor beijar um sapo” Titus Plautus – dramaturgo romano
(254-184 a.C.)
- Os romanos limpavam os dentes com um pó produzido com cinzas de ossos, dentes de animais, ervas e areia. Os
aristocratas tinham escravos cuja única função era limpar seus dentes.
- Já imaginou um enxaguante bucal anti-mau hálito sabor xixi? Era exatamente com esse “produto natural” que,
na Idade Média, se pretendia eliminar o mau hálito.
- Falando em dentes, a escova de dentes como conhecemos hoje, com cerdas, foi inventada pelos chineses em
1498. O que muita gente não sabe é que o produto custava muito caro e, por isso, uma única escova era usada
por toda a família. Em alguns casos isso aumentava o mau hálito já que espalhava todas as bactérias e fungos por
todas as bocas. Só depois da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados americanos eram obrigados a escovar
os dentes, a escova com cerdas de nylon ficou conhecida pelo mundo.
- Foi também após a Segunda Grande Guerra também que o mundo teve acesso aos tão fundamentais desodorantes. Esse artefato anti-cecê surgiu no antigo Império Romano. Eram pequenas almofadas aromatizadas que os
homens usavam debaixo das axilas para evitar o mau odor.
- O deputado e ex-sindicalista Vicentinho (PT-SP) conta que “ao cruzar o Atlântico, Lula deixou a cabine do avião
presidencial demonstrando tristeza e com uma meia na mão direita: – Companheiros, acho que estou com chulé.”
- De acordo com o tablóide inglês The
Sun, o cheiro era tão ruim que a aeromoça teve de pedir para que Britney colocasse os calçados novamente durante
um voo de Los Angeles à Nova Iorque.
- Você conhece alguém com mau hálito
e não tem coragem de contar? A ABPO
criou o site “Click mau hálito - ajude
a acabar com este mal” que faz isso
por você via e-mail sem revelar sua
identidade. O endereço do site é www.
abpo.com.br.


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